Siga-nos
Atendemos todo o Brasil
Advogado Trabalhista » Jogador afastado: saiba quando o atleta pode sair do clube

Jogador afastado: saiba quando o atleta pode sair do clube

6 de novembro de 2025

Treinar separado, pressão por rescisão e contratos injustos: entenda o que diz a nova Lei Geral do Esporte e como o atleta pode garantir seus direitos.

 

⚽ Quando o sonho vira pressão

Todo jogador sonha em ser titular, vestir a camisa, entrar em campo e mostrar seu valor.
Mas, na prática, o futebol profissional também tem um lado duro: atletas que perdem espaço, são esquecidos pelo clube e acabam “treinando em separado”, muitas vezes pressionados a aceitar propostas injustas para rescindir o contrato.

A cena se repete: o clube diz que não tem mais interesse, oferece “três salários” para o atleta sair de comum acordo e ameaça deixá-lo treinando sozinho se não aceitar.
O jogador, com medo de manchar a carreira, cede.
Mas o que poucos sabem é que a lei protege o atleta - e garante a ele muito mais do que isso.


⚖️ A nova Lei Geral do Esporte protege o atleta

Desde 2023, a Lei nº 14.597 (Lei Geral do Esporte) substituiu a antiga Lei Pelé e trouxe garantias mais claras para os jogadores profissionais.
Ela reconhece o atleta como trabalhador e o clube como empregador, assegurando:

  • direito a condições adequadas de trabalho e treinamento (art. 96, I e II);

  • respeito à integridade física e psicológica;

  • e indenização total se o clube romper o contrato sem motivo justo (art. 86, §3º).

Isso significa que não existe “desinteresse” como justificativa legal para romper um contrato profissional de atleta.


🚫 Treinar separado não é normal

Treinar em separado só é legítimo quando há decisão técnica justificada (por exemplo, recuperação física ou ajuste tático temporário).
Mas quando o afastamento é feito por punição, represália ou pressão para o atleta sair, ele se torna ilegal e caracteriza descumprimento contratual.

A lei é clara: o clube tem obrigação de oferecer condições de trabalho compatíveis com o contrato, e afastar o atleta do elenco principal sem motivo técnico pode ser considerado falta grave do empregador - motivo suficiente para o jogador pedir rescisão indireta.

Advogado Trabalhista em Curitiba

"Quando o atleta é isolado, o problema não é técnico - é contratual."
Rodrigo Fortunato Goulart - advogado trabalhista especialista nos direitos de atletas.


💣 O que é rescisão indireta (e quando o atleta pode pedir)

A rescisão indireta é o equivalente a uma “justa causa do clube”.
Ela ocorre quando o clube descumpre o contrato, isola o atleta injustamente ou o impede de exercer sua profissão.

Nessas situações, o jogador não perde nada.
Ao contrário: ele tem direito de receber tudo o que teria até o fim do contrato, incluindo salários, 13º, férias, FGTS e, principalmente, a Cláusula Compensatória Desportiva, prevista no art. 86, §3º da Lei 14.597/2023.

👉 Em outras palavras: se o contrato vai até 2028 e o clube quer se livrar do jogador agora, deve pagar todos os salários até o fim da vigência contratual.


💬 Exemplo prático

Imagine um atleta que ainda tem 02 anos de contrato com o clube.
O clube diz que “não conta mais com ele”, o tira do elenco e oferece 03 salários para rescindir “de comum acordo”.

O detalhe é que, se o clube quiser romper, teria que pagar todos os salários restantes (24 salários), dependendo do contrato.
Percebe a diferença?

Essa “pressão” para o jogador sair sozinho é ilegal e pode ser revertida judicialmente.
Se o atleta for afastado sem justificativa técnica, a Justiça reconhece a rescisão indireta com indenização integral.


🧩 O papel das agências e empresários

Outro ponto sensível é o papel das agências e empresários.
Muitos atletas jovens acabam presos a contratos de representação que limitam sua liberdade, impedem transferências e favorecem mais o intermediário do que o jogador.

O atleta deve saber que:

  • o contrato com o agente pode ser rompido se houver conflito de interesse, coação, falta de representatividade ou abalo da confiança;

  • a Lei Geral do Esporte proíbe o empresário de agir sem autorização expressa e individual do atleta;

  • e o atleta nunca é obrigado a aceitar propostas que o prejudiquem.

Empresários e clubes têm seus interesses.
Mas quem joga, quem se expõe e quem responde pelo desempenho é o atleta.
Ele tem direito à autonomia, dignidade e remuneração justa.


💡 Quando o atleta quer sair do clube

O contrário também acontece: o jogador quer sair, mas o clube não libera.
Nesses casos, se o clube descumpre o contrato, não paga em dia ou impede o atleta de jogar, também é possível pedir rescisão indireta - com liberação no BID e indenização integral.

A Justiça Desportiva e do Trabalho já reconhecem repetidamente que o contrato de atleta profissional é um vínculo de trabalho, e não um cativeiro esportivo.


🧭 Como agir sem se prejudicar

  1. Nunca assine um distrato ou “comum acordo” sem advogado.
    Isso pode fazer o atleta abrir mão de todos os direitos, inclusive da cláusula compensatória.

  2. Documente o afastamento.
    Mensagens, e-mails e testemunhas são fundamentais para provar o isolamento injustificado.

  3. Mantenha-se profissional.
    Compareça aos treinos, mantenha conduta exemplar. Isso fortalece a tese de boa-fé.

  4. Procure orientação jurídica especializada.
    O Direito Desportivo é técnico e cheio de armadilhas - e a diferença entre um acordo justo e uma perda irreparável pode estar em uma cláusula.


❤️ Conclusão

O futebol é paixão, mas também é profissão.
E, como toda relação de trabalho, deve ser baseada em respeito, boa-fé e equilíbrio.

O atleta não é refém do clube nem do empresário.
A Lei Geral do Esporte garante que ele tenha voz, dignidade e meios legais para seguir sua carreira sem medo.

Em caso de dúvidas ou problemas nas relações com o clube, consulte sempre um advogado trabalhista de sua confiança.

Advogado Trabalhista em Curitiba
Rodrigo Fortunato Goulart
OAB/PR sob nº 36.980
Com 25 anos de experiência na área trabalhista, é Mestre e Doutor em Direito pela PUCPR, Diretor do Departamento de Direito do Trabalho do Instituto dos Advogados do Paraná e Professor de Relações Trabalhistas e Saúde no Trabalho na Escola de Negócios da PUCPR.
Quero falar com o Advogado
Leia também:
Meu funcionário morreu em acidente de trânsito. E agora, o que fazer?
⚠️ O acidente aconteceu mas o impacto jurídico começa agora A notícia chega de forma abrupta. Um acidente. Um colaborador envolvido. E, de repente, a pior confirmação. Além do impacto humano, surge uma pressão imediata: o que fazer agora? Se você errar nas próximas decisões, o problema...
Leia mais
Mas doutor, é causa ganha! ⚖️
💬 Quando a certeza do cliente ignora o risco real do processo Quem trabalha anos em uma empresa, sente-se injustiçado e sofre uma demissão traumática costuma chegar ao escritório com uma convicção forte:“Doutor, isso é causa ganha.” Essa afirmação quase sempre vem acompanhada de pres...
Leia mais
Vale a pena aceitar acordo trabalhista ou ir até o final?
Quando a decisão pesa mais do que o valor envolvido Chega um momento em que a dúvida deixa de ser apenas jurídica e passa a ser profundamente pessoal. Você tem um processo na Justiça e a proposta de acordo aparece - às vezes logo no início, às vezes depois de meses - e a pergunta […]...
Leia mais
Sofri um acidente no trabalho e fiquei com sequela: posso ser demitido ou tenho direito a indenização?
🔴 A sequela muda tudo: quando o acidente não termina com a alta médica Sofrer um acidente de trabalho já é um divisor de águas.Mas, para muitos trabalhadores, o problema começa depois. 👉 A sequela. É a dor que não passa.É o movimento que não voltou.É o medo constante de perder o emp...
Leia mais
Empresa me acusou de furto, mas não tem provas: posso processar?
🔥 Uma acusação injusta pode destruir a dignidade de um trabalhador Ser acusado de furto no ambiente de trabalho é uma das experiências mais dolorosas que um profissional pode viver. Não é apenas o emprego que fica ameaçado. É a reputação, a honra e a confiança construída ao longo de a...
Leia mais
Escritório trabalhista para empresas e redução de riscos
Onde sua carteira trabalhista pode estar falhando ⚠️ Se você atua como gestor jurídico, já percebeu: não basta acompanhar processos. É preciso controlar risco. E aqui está o ponto direto: muitas carteiras trabalhistas parecem organizadas, mas não estão sob controle. Isso acontece porque ...
Leia mais
Sindicato não atua: o que fazer?
🚨 Sindicato não te defende? Veja o que fazer agora 😟Se você sente que o sindicato não está do seu lado, você não está sozinho. Muita gente passa por isso. Paga contribuição, mas não vê ajuda de verdade. Isso gera revolta e insegurança. Você espera apoio… e encontra silêncio. E ...
Leia mais
A empresa foi denunciada ao MPT. E agora?
 O medo não é da denúncia. É do que pode vir depois. Quando a empresa descobre que foi denunciada ao Ministério Público do Trabalho, o primeiro sentimento raramente é raiva. É angústia. A cabeça acelera. As perguntas surgem todas ao mesmo tempo. “Quem denunciou?” “Isso vai virar pro...
Leia mais
Tenho processo, mas meu advogado não me dá informações. O que fazer?
🤔 Quando o silêncio gera mais angústia do que o próprio processo Você confiou seu caso a um advogado. Assinou contrato, entregou documentos e aguardou. Com o tempo, porém, surgiu uma sensação difícil: falta de retorno, pouca explicação, silêncio prolongado. 📭 Essa angústia é comum...
Leia mais
Trabalhei sem EPI e sofri acidente. A empresa é responsável?
💬 Quando a empresa economiza na proteção, o risco sobra para o trabalhador O acidente acontece rápido. Um escorregão. Um impacto. Uma descarga. Uma queda. Depois, vem a dor. E, logo em seguida, a dúvida: “Eu estava sem EPI.” “A empresa não forneceu.” “Disseram que era culpa minha....
Leia mais
1 2 3 25

FAQ

PERGUNTAS
FREQUENTES

As principais dúvidas de quem nos procura e as nossas respostas, de forma rápida e eficiente.

Se você foi mandado embora sem justa causa, tem direito a receber: salário dos dias trabalhados, aviso prévio (se não foi cumprido), férias proporcionais + 1/3, 13º salário proporcional, multa de 40% sobre o FGTS, além de poder sacar o FGTS e, se tiver direito, pedir o seguro-desemprego. Dependendo do seu caso, pode haver outros direitos.
O salário e o FGTS devem ser pagos na data certa. Se houver atrasos constantes, isso pode ser motivo para encerrar o contrato de trabalho por culpa do patrão (rescisão indireta). Além disso, o trabalhador pode receber juros e correções pelos dias de atraso e até uma indenização por danos morais, se for o caso.
Sim. Mesmo sem registro na carteira, você pode ter direito a todos os benefícios de um trabalhador com carteira assinada, como FGTS, férias, 13º salário, INSS e outros. Se o patrão não reconhece isso, é possível entrar na Justiça e apresentar provas para garantir seus direitos.
Se você sofreu um acidente de trabalho, pode ter direito a afastamento com pagamento do INSS, estabilidade no emprego depois que voltar ao trabalho e até indenização, dependendo do caso. Se o acidente deixou sequelas, pode haver direito à aposentadoria por invalidez, pensão vitalícia (paga pela empresa) ou outros benefícios.
As horas extras só podem ser exigidas dentro da lei. Se você trabalha além do horário normal, tem direito a receber um valor maior por cada hora extra (pelo menos 50% a mais do que a hora normal). Algumas categorias podem ter regras diferentes em acordo ou convenção coletiva.
Não. O patrão não pode mudar seu contrato de trabalho para piorar suas condições sem seu consentimento. Se isso acontecer e te prejudicar, você pode ter o direito de pedir a rescisão indireta do contrato e receber todas as verbas como se tivesse sido demitido sem justa causa.
A lei garante estabilidade para mulheres grávidas desde o início da gestação até cinco meses depois do parto. Se for demitida nesse período, pode pedir para ser reintegrada ao trabalho ou receber uma indenização.
Se o patrão manda um funcionário abrir uma empresa (CNPJ ou MEI) só para continuar trabalhando do mesmo jeito que antes, isso pode ser uma fraude chamada “pejotização”. Se houver subordinação, horário fixo e obrigações como as de um empregado, pode ser possível pedir na Justiça o reconhecimento do vínculo empregatício e receber todos os direitos previsto em lei.
Sempre que tiver dúvidas ou problemas no seu trabalho, como salário atrasado, demissão injusta, assédio, não pagamento de direitos, trabalho sem carteira assinada, entre outros. Um advogado pode orientar sobre o que fazer e se vale a pena entrar na Justiça.
Na consulta, o advogado analisa o seu caso, verifica documentos, esclarece dúvidas e explica quais são os possíveis caminhos para resolver o problema. Dependendo da situação, pode ser feito um acordo com a empresa ou, se necessário, uma ação na Justiça.
O valor depende do caso e do advogado. Cada profissional tem liberdade para estabelecer o preço dos seus serviços. Profissionais experientes podem cobrar um valor fixo pela consulta ou pelo processo, enquanto outros podem trabalhar com um percentual do valor que o cliente receber no final da ação (honorários em caso de vitória). Tudo deve ser combinado antes, de forma transparente.
O tempo pode variar bastante. Se houver um acordo, pode ser resolvido rapidamente. Mas, se precisar de uma decisão da Justiça, pode levar meses ou até anos, dependendo do caso e dos recursos.
Depende. Depois da Reforma Trabalhista, quem perde a ação pode ser condenado a pagar honorários ao advogado da outra parte, mas há exceções. Também pode haver custos do processo, dependendo do contrato feito com seu advogado. Por isso, é importante entender tudo antes de entrar com a ação.
Os documentos mais importantes são: carteira de trabalho física ou digital, holerites (contracheques), contrato de trabalho, comprovantes de pagamento, extrato do FGTS, carta de demissão e qualquer outro que mostre como era a relação de trabalho. Se não tiver todos, o advogado pode te orientar sobre como reunir provas.

Formulário

FICOU COM ALGUMA
DÚVIDA?

Com o apoio de nossa equipe jurídica, 
você pode esclarecer tudo sobre seus 
direitos de forma acessível e confiável.


O nosso compromisso além do escritório

FG NA MÍDIA

Participação em entrevistas e congressos.

Endereço em Curitiba

FAÇA UMA VISITA EM 
NOSSO ESCRITÓRIO

Estamos comprometidos na defesa
dos seus direitos.

Agende sua visita pelo whatsapp
  • Nosso escritório de advocacia trabalhista em Curitiba
  • Escritório especializado em direito do trabalho em Curitiba
  • Escritório especializado em direito do trabalho em Curitiba
desenvolvido com por Agência de Marketing Digital Fortunato Goulart Advocacia © 2026